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AI First no PowerPoint vs ROI

A adoção da inteligência artificial avançou muito mais rápido do que a capacidade das empresas de gerar valor com ela. E complicou inciativas Ai First.

Segundo a McKinsey, 88% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma função de negócio.

Mas apenas 39% relatam algum impacto no EBIT. E, mesmo entre essas empresas, a maioria afirma que menos de 5% do resultado operacional pode ser atribuído à IA.

A BCG chegou a uma conclusão ainda mais desconfortável:

60% das empresas estão obtendo pouco ou nenhum valor material com IA.

Apenas 5% conseguem transformar seus investimentos em resultados relevantes e mensuráveis em escala.

Ou seja:

  • A IA já chegou ao PowerPoint.
  • O ROI ainda está procurando a sala da reunião.

E as grandes empresas de tecnologia já perceberam que a próxima fase não será vencida apenas pelo modelo mais poderoso.

Apple, Microsoft, Google e IBM estão investindo também em modelos menores, especializados e capazes de operar com menos infraestrutura, menor latência e menor custo.

A Apple colocou modelos de aproximadamente 3 bilhões de parâmetros diretamente nos dispositivos. A Microsoft desenvolveu a família Phi. O Google lançou modelos Gemma compactos para tarefas especializadas. A IBM posiciona os modelos Granite menores como alternativas para classificação, sumarização, RAG e outras aplicações corporativas.

Isso não significa que os grandes modelos desaparecerão.

Significa apenas que usar o maior modelo disponível para qualquer problema começou a parecer menos uma decisão técnica e mais um descontrole orçamentário.

Durante alguns anos, a festa foi sustentada por capital abundante, experimentação subsidiada e uma tolerância quase ilimitada a provas de conceito.

Era possível criar uma demonstração impressionante, apresentar um benchmark gigantesco e evitar aquela pergunta inconveniente:

Quanto custa isso funcionando todos os dias, para milhares de usuários?

Agora a conta chegou.

E quando a conta chega, até a inteligência artificial precisa enfrentar aquela tecnologia antiga, conservadora e pouco glamourosa chamada planilha financeira.

A pergunta deixou de ser:

“Qual é o modelo mais poderoso?”

E passou a ser:

“Qual modelo resolve este problema com o menor custo, o menor risco e o melhor resultado?”

Talvez a empresa não precise de um modelo gigantesco para classificar documentos, resumir chamados, consultar normas internas ou responder perguntas frequentes.

Talvez precise apenas do modelo certo.

Mas o problema maior nem sempre está no modelo. Está na gestão de IA.

Há empresas que se declaram AI First sem treinar as pessoas, sem redesenhar processos, sem organizar os dados, sem avaliar riscos e sem estabelecer indicadores.

Depois compram algumas licenças, reduzem equipes e cobram que os colaboradores sejam dez vezes mais produtivos.

Isso não é estratégia de IA.

É abandono operacional com identidade visual moderna.

O mesmo já aconteceu com o Data Driven.

A empresa criou dezenas de dashboards, contratou ferramentas, nomeou comitês e colocou gráficos coloridos em todas as apresentações.

Só esqueceu de verificar se alguém realmente usava os dados para decidir.

Ser AI First não é comprar copilotos.

Ser Data Driven não é acumular dashboards.

Transformação real começa quando a empresa consegue responder:

  • Qual problema estamos resolvendo?
  • Quanto esse processo custava antes?
  • Quanto custa agora?
  • Qual indicador mudou?
  • Qual risco foi reduzido?
  • Quanto dinheiro foi economizado ou gerado?
  • Quem responde pelo resultado?

Se essas respostas não existem, provavelmente também não existe transformação.

Existe apenas um PowerPoint muito bem diagramado.

A fase da demonstração bonita está terminando.

A próxima fase da IA corporativa será menos impressionante no palco e muito mais exigente na operação.

  • Menos slogan.
  • Menos prova de conceito eterna.
  • Menos “somos AI First”.
  • Mais processo funcionando.
  • Mais produtividade comprovada.
  • Mais risco controlado.
  • Mais retorno mensurável.

Porque o PowerPoint aceita qualquer estratégia.

A DRE, não.

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